A história de Jó começa na terra de Uz, muito antes da tempestade que mudaria tudo. Jó é íntegro, correto, temente a Deus e afastado do mal. Tinha família numerosa, muitos servos e grandes rebanhos, mas a Bíblia fala primeiro do seu caráter, não das posses. O homem que perderia quase tudo já temia e amava o Senhor antes de qualquer perda ().
Enquanto Jó vivia em paz, algo se passava no céu que ele não podia ver. Satanás o acusou diante de Deus de servir apenas por ser protegido e abençoado. A questão tocava o centro de sua fé: ele amava o Doador ou só as dádivas recebidas dEle? Para o acusador, sem bênção não haveria devoção ().
Deus permitiu que os bens de Jó fossem atingidos, mas colocou limites claros. Satanás não agia por conta própria, nem recebeu liberdade absoluta; permaneceu sob o governo de Deus (). Ainda assim, o Senhor permanece santo e não tenta ninguém a pecar (). Mesmo quando Seus propósitos ficam ocultos, o governo dEle nunca falha ().
Sem saber da acusação de Satanás, Jó enfrentou luto, perguntas e silêncio, sem entender por que sofria. Logo no início, o livro deixa claro que sua dor não era castigo por pecado pessoal (, ). Por isso, não devemos transformar a história de Jó numa fórmula para explicar todo sofrimento. Nossa compreensão pode ser verdadeira e, ainda assim, incompleta.
Em Cristo, porém, a acusação não tem a última palavra. Deus é quem justifica; Cristo morreu, ressuscitou e agora intercede por nós. Nada pode separar do amor de Deus aqueles que estão em Cristo Jesus (). Nossa fé não compra proteção contra toda dor, mas descansa no Salvador que Se entregou por pecadores e permanece fiel.
Antes das cinzas, Jó já temia a Deus e cuidava da própria casa com reverência (). A fé que resiste à tempestade nasce nos dias comuns, antes da crise chegar. Em vez de viver dominados pelo medo, podemos pedir ao Espírito Santo que fortaleça nossa fé e nos ensine a amar a Deus na fartura e na escassez, com contentamento em Cristo ().
